16.10.09

O tempo da coisa

Ela era passional
Ele era processual
Ele usavam a linguagem
dos sinais

Ela era curiosa
Ele era todo prosa
Eles andavam à margem
da bossa

Houve um soneto.
Haveria um momento?


Ela é visceral
Ele é sacal
Eles usam a imagem
dos portais

Ela é furiosa
Ele é quase trova
Eles nadam à margem
da fossa

passado, pelas 00:10 5 comentários

30.9.09

marquise

fosse outro rosto ou outra cor
teria roubado meus olhos
e roubou

o neon que vi da janela
piscava
piscava
piscava
no segundo que antecedeu o gozo

foi bonito ter seu corpo
cansado
pintado de luz rosa
- a que a cortina não escondia -
colorindo meu blue

só sei que ele dizia
fantasia
e hoje desenho calçadas
procurando
fachada por fachada
aquela letra
do seu nome.

passado, pelas 01:07 1 comentários

22.9.09

microblog

'tava começando a cair de mansinho e BUM molhou tudinho hoje no entanto ando tão moderninho que nem uso guarda-chuva nem respiro entre as palavras porque pra mim é pequenininho querer saber lidar com isso e fazer servicinho não dá felicidade então caminho com os bons e entre as pessoas é notório que por mais que se coma de pouquinho se não parar engasga mas não abalo meu ninho nem que me falte ar.

passado, pelas 22:31 0 comentários

2.9.09

prosaica

adeus manhã!
- disse mansinho
a janela da sala
quando o avistou o sol
pianinho
se escondendo
do outro lado da casa.

passado, pelas 13:32 1 comentários

Deu vontade

Deu vontade
de não dormir
Pra ver se o dia
muda mesmo
ou fica igual

Deu vontade
de partir
Andar de novo
à esmo
Sem esboço
estrutural

Deu vontade
de consumir
um fruto do sebo
que lubrifica
até o final

E sentir
para além do seco
o sensacional

passado, pelas 02:05 2 comentários

1.9.09

oroborossamba


o samba que expus lá no bloco

deu vergonha no povo.

tentei tocar de novo
mas fui expulso do palco,
o louco.

agora faço um samba choroso
sobre meu exílio forçado.

moroso,
faço um samba demorado
que me sirva de soro.

que dê voltas nas pernas,
que desvie de poucos,
que repique as madeixas,
que agrade às modernas.

aí vou tentar dar o troco.

subo no palco,
toco de novo,
faço graça,
pulo no povo.

se deixar, no salão taco talco,
o louco.

se dessa vez não vingar,
recomeço.

amplio, recorto, componho,
faço conta e de conta, desconto,
concluo e começo de novo:
vou chocar um samba-ovo.





passado, pelas 22:15 4 comentários

30.7.09

Golpe de Estado

Um gole e um trago
Um bode e um caldo
Um gole e um trago
Um mole e um rato
Um gole e um trago
Um bofe e um rabo

passado, pelas 14:45 1 comentários

8.7.09

próximo

formiga em mim
um desatino, vai me
coçando as veias.

desde menino, caindo
as migalhas de uma
ceia que não é minha.

não sei se fascina assim
a vela amiga que
me pinga a cera.

à mesma hora,
cutuca um estopim que
ralha inteira a mesma missa.

só que não queima agora
a brasa que insinua,
nem incendeia este destino:

é pólvora rasgando
meu sangue
como areia.

passado, pelas 01:01 2 comentários

3.7.09

Dama da Noite

É um almoço que não tem fim
pois se a comida é boa
as palavras maternas
são insossas
são indigestas

É uma tarde que não tem fim
pois se o trabalho é pouco
as idéias são muitas
e o meu troco
não paga a multa

É uma conversa que não tem fim
pois se o idioma é o mesmo
a língua não é igual
cospe à esmo
enrola o substancial

É um sol que não tem fim
pois se há óculos-escudos

a visão não chega ao fundo
a retina não alcança o vital
a retina não alcança o nervo

É uma noite que não tem começo
pois se a lua se impusesse
já seria um recomeço
ainda que nada se propusesse
já seria um ensejo

Porque a noite não se acaba
a noite tão somente
se resguarda

A noite deixa que o dia
faça a sua cama
mas é dela toda a fama

A noite deixa que o dia
seja o seu vigia

Mas o drama
é que o dia se encanta.

passado, pelas 16:33 1 comentários

30.6.09

Água de Colônia

Não sei quanto:
você pode se segurar
eu posso me adiantar
você pode me querer
eu posso te conhecer

Não sei quando:
você pode me errar
eu posso te esperar
você pode me rever
eu posso te retorcer

Não sei como:
você pode se caber
eu posso me virar
você pode me inspirar
eu posso te escrever

Eu nada sei.
Mas que a ignorância me basta,
enquanto a fragância se espalha.

passado, pelas 14:47 1 comentários

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