7.12.09

Flor de Abril


O nome do próximo filme de Cícero Filho, o diretor de Ai que vida. Depois de uma comédia epidêmica, o moço vai fazer um drama. Mas pra ele eu já escrevi. Agora preciso escrever sobre Flor de Abril.

Este filme que está rodando na minha cabeça. Mesmo não sendo exatamente um filme. É só um trailer. É uma comédia, até o momento.

Começou com meu pai. Trouxe uma VEJA pra mim. Quando ele ou minha mãe, assinantes, deixam uma VEJA fechada dando sopa pelos lugares comuns da casa, eu sei que eles querem que eu leia algo dentro daquela revista. Se a capa me animar, coisa muito muito rara, eu abro. Só que ele trouxe a revista aberta, e apontava um anúncio pra mim. Ele quase sorria.

Um curso. Um concurso? Não, era um curso. Espantei-me tanto que sentei pra ler o tal anúncio. Era verdade: não era um trainee ou um concurso. Era um curso no qual eu poderia escrever. E visitar uns amigos em Sampa, pensei.

Mandei o texto no último dia (segundo dizia a revista) e durante meu horário de almoço. Precisava escrever rápido e com ninguém por perto. Felizmente minha sala na época era o camarim do estúdio, e ficava nos fundos da agência. Em paz, mandei o texto para desencargo da minha consciência.

Um tempão depois, um amigo me dá um toque pelo g-talk: eu estava selecionada pra segunda fase. Eu lembro que fiquei muito empolgada, mas a verdade é que eu estava numa quinzena que era pura empolgação. Estava no meio dum Festival e teria que estar no Rio, em poucos dias, pra um Encontrão. Era uma quinzena abundante de cinema, e acabaria de maneira esplêndida. Li uma SUPER, terminei de ler duas PIAUÍ, e pedi abrigo em regiões vizinhas à Sampa, just in case. A questão era a semana seguinte.

Publicidade de novo, um monte de coisa atrasada, uma pilha de palavras que eu relutava em escrever. Reuniões que eu mal sabia como começar, projetos que eu não fazia idéia de como terminar. Correr atrás de notas ou correr com os braços cruzados nas costas? Banco, mala, roupa, banco, sapato, Taquaruçu. Eu não sabia se casava ou comprava uma bicicleta, e eu ainda estava de Chico. Vá...

Quando eu recebo uma ligação. Entrevista? Claro, vamos nessa. BRAVO? Hahah. É difícil até comentar por aqui ou PIAUÍ. O chefe já me dizia: isso não é semana de criar, é de procriar. Eu devia ter imaginado: também não era uma semana pra improvisar. Ai que vida.


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24.11.09

Uma semana banal

Hoje não é sexta-feira
Mas deixe de besteira
Quando não é quina
Tampouco será mesa

Hoje não é sábado
Mas não seja viado
Quando não é bicha
Pode ser o que seja

Hoje não é domingo
Mas não entre no limbo
O que não vicia
É o que não tem seiva

passado, pelas 18:34 0 comentários

16.10.09

O tempo da coisa

Ela era passional
Ele era processual
Ele usavam a linguagem
dos sinais

Ela era curiosa
Ele era todo prosa
Eles andavam à margem
da bossa

Houve um soneto.
Haveria um momento?


Ela é visceral
Ele é sacal
Eles usam a imagem
dos portais

Ela é furiosa
Ele é quase trova
Eles nadam à margem
da fossa

passado, pelas 00:10 5 comentários

30.9.09

marquise

fosse outro rosto ou outra cor
teria roubado meus olhos
e roubou

o neon que vi da janela
piscava
piscava
piscava
no segundo que antecedeu o gozo

foi bonito ter seu corpo
cansado
pintado de luz rosa
- a que a cortina não escondia -
colorindo meu blue

só sei que ele dizia
fantasia
e hoje desenho calçadas
procurando
fachada por fachada
aquela letra
do seu nome.

passado, pelas 01:07 1 comentários

22.9.09

microblog

'tava começando a cair de mansinho e BUM molhou tudinho hoje no entanto ando tão moderninho que nem uso guarda-chuva nem respiro entre as palavras porque pra mim é pequenininho querer saber lidar com isso e fazer servicinho não dá felicidade então caminho com os bons e entre as pessoas é notório que por mais que se coma de pouquinho se não parar engasga mas não abalo meu ninho nem que me falte ar.

passado, pelas 22:31 0 comentários

2.9.09

prosaica

adeus manhã!
- disse mansinho
a janela da sala
quando o avistou o sol
pianinho
se escondendo
do outro lado da casa.

passado, pelas 13:32 1 comentários

Deu vontade

Deu vontade
de não dormir
Pra ver se o dia
muda mesmo
ou fica igual

Deu vontade
de partir
Andar de novo
à esmo
Sem esboço
estrutural

Deu vontade
de consumir
um fruto do sebo
que lubrifica
até o final

E sentir
para além do seco
o sensacional

passado, pelas 02:05 2 comentários

1.9.09

oroborossamba


o samba que expus lá no bloco

deu vergonha no povo.

tentei tocar de novo
mas fui expulso do palco,
o louco.

agora faço um samba choroso
sobre meu exílio forçado.

moroso,
faço um samba demorado
que me sirva de soro.

que dê voltas nas pernas,
que desvie de poucos,
que repique as madeixas,
que agrade às modernas.

aí vou tentar dar o troco.

subo no palco,
toco de novo,
faço graça,
pulo no povo.

se deixar, no salão taco talco,
o louco.

se dessa vez não vingar,
recomeço.

amplio, recorto, componho,
faço conta e de conta, desconto,
concluo e começo de novo:
vou chocar um samba-ovo.





passado, pelas 22:15 4 comentários

30.7.09

Golpe de Estado

Um gole e um trago
Um bode e um caldo
Um gole e um trago
Um mole e um rato
Um gole e um trago
Um bofe e um rabo

passado, pelas 14:45 2 comentários

8.7.09

próximo

formiga em mim
um desatino, vai me
coçando as veias.

desde menino, caindo
as migalhas de uma
ceia que não é minha.

não sei se fascina assim
a vela amiga que
me pinga a cera.

à mesma hora,
cutuca um estopim que
ralha inteira a mesma missa.

só que não queima agora
a brasa que insinua,
nem incendeia este destino:

é pólvora rasgando
meu sangue
como areia.

passado, pelas 01:01 2 comentários

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